As Categorias do Processo Dramático


A acção
A acção de um texto dramático compreende a sucessão e encadeamento dos acontecimentos vividos pela actuação das personagens. Nela podemos encontrar uma estrutura externa e uma estrutura interna.

- Estrutura externa
De um modo geral, estamos habituados à divisão da obra dramática em actos e cenas. Contudo, consoante a época e o tipo de texto, há algumas particularidades. Por exemplo, o teatro tradicional e clássico apresenta uma estrutura mais ou menos fixa, através da divisão da acção em actos, cenas e quadros: os actos são indicativos de mudança de cenários; as cenas e quadros, de mudança de personagens em cena.
Por sua vez, quer a tragédia quer a comédia gregas e latinas apresentam uma divisão em três ou cinco actos, constituindo o prólogo, os episódios e o epílogo.
No entanto, no que respeita ao teatro moderno, narrativo ou épico, a constução é mais complexa, embora articulada, não havendo respeito pelas normas tradicionais da estrutura externa.


- Estrutura interna (momentos determinantes da acção)
A acção dramática desenrola-se de modo semelhante à acção narrativa, isto é, as acções das personagens correspondem à introdução, ao desenvolvimento e à conclusão, havendo, no entanto, especificidades que decorrem do facto de ser um texto que se destina à representação. Sendo assim, temos uma estrutura baseada:
- na exposição, que consiste na apresentação de personagens e de antecedentes da acção;
- no conflito, que diz respeito ao conjunto de peripécias que fazem avançar a acção;
- no desenlace, que constitui o desfecho da acção dramática.


As Personagens

Concepção e formulação
-> Planas ou "tipos" - personagens sem vida interior, estáticas, sem densidade psicológica, dado que ao longo da acção o seu comportamento não se altera, apresentando alguns traços psicológicos característicos, que não sofrem transformações. É o caso, por exemplo, dos três governadores do reino: D. Miguel Forjaz, Beresford e Principal Sousa, em Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro.

-> Modeladas ou redondas - personagens dotadas de densidade psicológica, dinâmicas, com vida interior, podendo apresentar evolução no seu comportamento e nas suas atitudes. É o caso, por exemplo, de Matilde, da obra que referimos.

Papel desempenhado na acção
-> Protagonista ou personagem principal

-> Personagens secundárias

-> Figurantes

Processos de caracterização
-> Directa - pode ocorrer através das informações dadas pelas didascálias, através das palavras da personagem acerca de si própria ou de outras personagens e ainda através da descrição de aspectos físicos e psicológicos.

-> Indirecta - é a partir dos comportamentos, das atitudes, dos gestos, dos sentimentos, dos símbolos das personagens que o leitor tira as suas conclusões acerca das características das personagens, traçando o seu perfil psicológico.

O Tempo
O tempo em que decorre a acção dramática é curto, o necessário à apresentação do conflito, ao seu desenrolar e ao desenlace. Distinguimos três "tempos":
- Tempo da representação - duração da acção em palco.
- Tempo da história (acção) - época em que decorre a acção.
- Tempo da produção literária - altura em que o autor escreve a obra.

O Espaço
O espaço é caracterizado pelas didascálias, que fornecem informações necessárias à construção dos cenários. Podemos falar de dois tipos de espaço:
- Espaço cénico ou representado - aquele que diz respeito aos cenários onde decorre a acção e que estabelece a comunicação com os espectadores. São importantes o som, a luz, o guarda-roupa, entre outros.
- Espaço aludido - aquele que é referido pelas personagens, mas não é representado, ou seja, apenas lhe é feita alusão.


O Texto Dramático


No estudo do género dramático é necessário distinguir texto dramático de teatro ou representação teatral.
O texto dramático é entendido como pertencendo ao género literário do drama. Nele está implícita a dinâmica do conflito, onde as personagens representam as acções e reacções humanas numa atitude de comunicação directa entre si e o espectador. A sua função é servir o teatro; daí dizer-se que o texto dramático tem como finalidade a representação através dos actores. Trata-se, pois, de uma representação directa, que implica a sua concretização perante um público e a ausência de narrador. Os acontecimentos são representados de uma forma viva pelo facto de o drama ser, acima de tudo, acção.

É pelo facto de o texto dramático se destinar ao teatro que se distinguem nele características específicas, nomeadamente a existência de dois textos paralelos: o texto principal e o texto secundário.

- O texto principal (discurso dramático):
É constituído pelas falas das personagens intervenientes na acção e escutado pelos espectadores.

- O texto secundário (didascálico):
É o conjunto de indicações cénicas (didascálias) que se destinam ao leitor, ao encenador e ao actor, fornecendo-lhes informações sobre a movimentação cénica das personagens, o cenário, o vestuário, a luz, o tom de voz, os gestos, a postura em cena, a estrutura externa da obra (divisão em actos, cenas ou quadros), etc. Texto não mencionado pelo discurso dos actores, mas indirectamente presente na representação.

Há ainda outras características igualmente importantes no estudo do texto que se destina à representação:

-> é constituído predominantemente sob a forma de diálogo e, por vezes, monólogos e apartes;

-> ausência de descrições, que são substituídas pelas informações contidas nas didascálias, quer sobre o cenário quer sobre os ambientes, quer sobre as personagens;

-> registo de língua oral, concretizado através dos diferentes níveis de língua a utilizar de acordo com a personagem que se representa, com a situação, etc.;

-> as personagens assumem o papel do narrador, dando progressão aos acontecimentos através do discurso directo;

-> consequentemente, o tempo verbal predominante é o presente, porque a acção é vivida e transmitida pelas personagens ao mesmo tempo.

Memorial do Convento


Poderemos considerar Memorial do Convento um romance histórico?


Num texto expositivo-argumentativo bem estruturado, de cem a duzentas palavras, responde à questão, fundamentando a tua opinião com argumentos decorrentes da tua experiência de leitura.

Questionário global "Memorial do Convento"


1. Na acção da obra distinguem-se três histórias. Identifica-as.


2. A construção do Convento de Mafra teve origem numa promessa. Refere-a.


3. Indica dois traços caracterizadores de D. João V, D. Ana de Áustria e de D. Francisco.


4. Baltasar estabelece a ligação entre as narrativas da construção do Convento e da passarola. De que modo?


5. Considera as personagens Baltasar Sete-Sóis e Bartolomeu Lourenço.

5.1. Quando se conhecem?


5.2. Que tipo de relação se estabelece entre os dois?


6. Caracteriza Blimunda.


6.1. Em que se distingue das outras pessoas?


6.2. Como se torna útil a Bartolomeu Lourenço?


7. Interpreta o fim trágico das personagens ligadas à passarola.


8. O sonho é uma linha de força da obra. Fundamenta a afirmação.


9. Distingue personagens referenciais de personagens ficcionais.


10. A construção do convento assenta no sacrifício de heróis anónimos. Caracteriza-os.


10.1. Regista um acontecimento marcante na vida desses trabalhadores.


11. Apresenta o ponto de vista do narrador sobre a construção do Convento de Mafra.


12. Os espaços Mafra e Lisboa são privilegiados na obra. Que imagem física e social nos é dada da capital?


13. O clero é observado de forma crítica e irónica. Justifica, recorrendo a exemplos concretos.


14. Delimita cronologicamente a acção principal.